Em minha dissertação de mestrado estudei acerca dos aspectos que influenciam o uso de preservativos por adolescentes. Em outro momento prometo retornar aqui pra discorrer sobre minha pesquisa, mas o que observei é que existem diversos fatores, em sua maioria relacionados as aspectos políticos, que fazem com que algumas pessoas estejam mais ou menos vulneráveis a não usar o preservativo. Não é exclusivo ao individuo a escolha de usar ou não preservativo. A idéia não é retirar das pessoas a responsabilidade de se previnir a algumas doenças, mas alertar sobre a necessidade de se rever algumas práticas do nosso cotidiano.
Nesse sentido, gostaria de sugerir uma reportagem publicada hoje na site do jornal Folha de São Paulo. O texto aponta que existem avanços em relação ao tratamento com antirretrovirais e campanhas de prevenção, mas que este avanço se vê barrado por políticas que ainda hoje tratam a homossexualidade e a prostituição como crime ou não assumem as necessidades de se distribuir agulhas e seringas a usuários de drogas injetáveis.
"Em inúmeros países, as profissionais do sexo relatam não poder carregar muitas camisinhas na bolsa porque é isso que os policiais usam para identificá-las como prostitutas e prendê-las." (Folha, 31/07/2012)
As pessoas sabem como se prevenir, o que devem ou não fazer, mas já não está somente na mão delas essa escolha. O que está em jogo é a escolha do que pode ter menor valor punitivo a curto prazo. Ser presa com certeza vai lhe trazer várias consequencias neagativos imediatas, enquanto a consequência negativa de não usar o preservativo com o cliente pode ou não ocorrer e podem surgir os primeiros sintomas, muito tempo depois, dificil se controlar por estas consequências, não?
Segue o link para a reportagem: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1128785-estigma-ainda-barra-avanco-contra-a-aids.shtml

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