A ideia original sobre a produção do fracasso escolar foi
elaborada pela professora da USP Maria Helena Souza Patto (alguém me
corrija se eu estiver errada). A professora cunhou o tema pra discorrer sobre o
fracasso escolar das crianças de camadas populares. Para ela uma criança
fracassa (tem rendimento escolar ruim, histórico de repetência..) não por uma
característica intrínseca a criança (ex. ela é burra), mas sim por todo um contexto
social em que ela está inserida (desigualdades educacionais) que a levam a
fracassar.
Mas eu queria ir um pouco mais além desta ideia inicial. Vamos lá:
como se produz uma criança fracassada? Sim, estamos partindo do principio de
que a criança fracassa não por “culpa” dela, mas pela ação de diversas outras
pessoas ao seu redor. Como estamos educando nossas crianças de hoje?
Podemos pensar no sistema de progressão continuada, adotado
por alguns estados, entre eles o estado de São Paulo. Neste sistema, o aluno
não pode ser reprovado, somente em algumas séries, sendo muitas vezes passado
de ano sem ter ou não aprendido um determinado conteúdo. O aluno não aprende,
mais passa. No ano seguinte, como não aprendeu o conteúdo anterior não consegue
acompanhar o restante da sala e aprende menos ainda. Como ele existem mais
outros tantos na sala e cada um se vira como pode pra lidar com aquela
situação, uns conversam, outros bagunçam, alguns se isolam. A professora não dá
conta. E este aluno e mais alguns que também não aprenderam seguem em frente.
No fim das contas temos números
super bonitos do aumento de alunos que chegam ao ensino médio. É, é verdade.
Eles chegam. Mas chegam como? A Folha de São Paulo publicou a seguinte
notícia hoje “Ensino médio ganha mais portadores de
deficiência no país”. A reportagem fala sobre o aumento do número de jovens com
deficiência que chegam ao ensino médio (link para a reportagem: http://www1.folha.uol.com.br/saber/1102968-ensino-medio-ganha-mais-portadores-de-deficiencia-no-pais.shtml).
Ok, bacana. Mas quem são esses jovens? Que deficiências eles tem? Como eles
estão chegando no ensino médio? Que preparação tem os professores pra lidar com
essa população? Sobre isso não dizem... mas os números são bonitos, né?
Bem, sabem como é. Esse
ano é ano eleitoral, muitos números lindos surgirão. Mas que tal tentarmos
olhar além desses números? Fica a dica então..
Mas volto nesse assunto
depois. Acho que ainda podemos conversar sobre outros pontos, por exemplo: E os
pais? Como se produzir crianças fracassadas na comodidade do seu lar? E o que é
deficiência hoje? Com o novo DSM (classificação internacional de doenças
mentais) ficou muito mais fácil classificar alguém como tendo um transtorno psiquiátrico,
será que tem tanta gente transtornada assim?? Mas essas perguntas vou deixar
pra responder num próximo capitulo..rs E vocês o que acham??
Ps: Quem ainda não respondeu, não esqueça de responder a enquete do post anterior, ok? Valeu!
Ps: Quem ainda não respondeu, não esqueça de responder a enquete do post anterior, ok? Valeu!
Assunto de muita relevância!!! Parabéns!
ResponderExcluirOi Carol, obrigado pela visita, em breve teremos mais assuntos como este postados aqui. Até mais!
Excluir