Quando pensamos em perda,
danos e luto, normalmente nos referimos à morte de um ente querido, mas o fim
de um relacionamento amoroso, a perda de um emprego, a
percepção de que os sonhos e metas desejadas não se realizarão, a perda de uma parte do corpo, a perda de status
social por falência e o recebimento do
diagnóstico de uma doença grave também se
configuram em processos de luto.
Pode-se dizer que o luto faz parte da vida, e esta associado a
laços afetivos intensos, nesse sentido só vive o luto quem é capaz de amar
intensamente, de viver laços afetivos significativos. Perdas, danos e luto embora estejam dentre as vivências mais difíceis do desenvolvimento humano acontecem desde a mais tenra idade. Um exemplo não associado à morte é o
final de um relacionamento amoroso, no qual é comum os envolvidos entrarem num
processo de questionamento sobre o porquê do seu fim. Inicia-se um processo de
culpabilização do outro e de si mesmo, mas com o tempo e com reflexões sobre o
ocorrido, o casal e também seus filhos podem concluir que a separação foi o
melhor para todos, que a qualidade de vida da família pode aumentar por não
estarem vivenciando conflitos frequentes. A princípio pode haver dificuldades em aceitar os novos papéis e a nova organização familiar, mas se o processo for bem
vivenciado, a família conseguirá se reestruturar.
Um outro exemplo é o aumento da independência
dos filhos, os pais podem viver um processo de luto por se
sentirem menos importantes na vida deles, notam que os filhos tomam as decisões sozinhos e que nem sempre estas serão condizentes com o que desejaram ou
planejaram. Trata-se do fim das expectativas idealizadas e o início da aceitação do
outro como um ser autônomo e independente.
É comum ser referir a este momento da vida como a “síndrome do ninho
vazio”.
Embora faça parte do desenvolvimento humano, as perdas,
danos e luto geram momentos de grande inquietude e sofrimento, marcados por
dificuldades de aceitação do ocorrido, e culpabilização real ou irreal pelo que
aconteceu. A raiva, tristeza, melancolia, sentimentos de impotência e insegurança, são sentimentos comuns
nesse momento, e devem ser aceitos como
parte do processo de elaboração do luto, mas com o devido cuidado de não torna-los
demasiadamente longos (crônicos).
Vivenciar o luto significa entrar em contato com a dor da perda, e sua elaboração exige tempo, aceitação e compreensão do ocorrido,
normalmente isso se inicia uma semana depois, momento no qual a pessoa consegue pensar
sobre o que aconteceu, é quando a pessoa diz que "caiu a ficha”. Mas não devemos
pensar somente no indivíduo enlutado, é necessário olhar para o grupo familiar,
que pode estar vivendo uma crise diante da perda. A crise exige reorganização
e reconstrução dos papéis dentro da família, a perda altera as relações
entre todos os membros do grupo e diante dessa vivência os envolvidos podem não apresentar os recursos emocionais necessários para superá-la, necessitando de ajuda para o restabelecimento de seu funcionamento.
Uma outra característica que dificulta a elaboração do luto
é a falta de espaço para os enlutados viverem suas perdas, embora bem
intencionados, os conhecidos usam frases como: “não chore, a vida é assim mesmo”,
“foi melhor assim”, “ele estava sofrendo” , o que pode inibir a pessoa enlutada de falar sobre sua
dor e consequentemente de entrar em contato com ela e assim aprender a lidar com toda sua angustia.
Em nossa cultura não encontramos muitos espaços para falar
sobre a morte e o morrer, sobre as perdas e os danos. Mas reclamar, queixar-se,
lamentar é fundamental para o processo de elaboração do luto, por este motivo é
necessário aceitar a ajuda oferecida e procurar um amigo ou confidente para
falar sobre as dores, angústias e tristezas.
É importante ainda compreender
que se trata de um processo demorado e cheio de altos e baixos, a pessoa enlutada deve aceitar que haverá momentos mais difíceis e outros menos difíceis.
O processo de enlutamento pode ser classificado em luto
normal e patológico, sendo que seis meses é o tempo médio para a pessoa se
reestruturar, contanto é preciso lembrar que cada pessoa fará isso em seu próprio tempo e ritmo. Ficar
atento e verificar se pessoa enlutada espera a volta do ente querido que
faleceu, ou uma recuperação espontânea de uma doença grave, pode ser indícios
de que ela precisa de ajuda especializada para vivenciar este processo.
Olhar para fotos, roupas e objetos pode ser saudável se isso ajuda na
elaboração do luto, mas se isso prende a pessoa ao passado (irreversível) deve
ser evitado a todo custo.
No processo de elaboração do luto é necessário evitar
qualquer tipo de fuga ou esquiva, tais como ingerir bebida alcóolica, usar
drogas ou tomar remédios, e até mesmo contar para si mesmo algumas “mentirinhas”,
tal como imaginar que o ente querido esta viajando, pois isto gera uma esperança
irreal, pois é sabido que a morte é irreversível.
Deve-se aceitar a raiva, o medo, a tristeza como parte do processo e que temos o direito de sentí-los. É importante se livrar-se da culpa, imaginária ou real, e pedir ajuda quando os recursos pessoais estão escassos ou ineficientes. E importante que a pessoa enlutada, assim que conseguir, se envolva em atividades esportivas ou tarefas que lhe causem prazer (ouvir a chuva, viajar, ver o por do sol, o nascer do sol), é importante que compreenda que viver um eterno processo de luto não é demonstração de amor, pois o amor é libertador, produtor de felicidade, e muito contribui para o nosso desenvolvimento saudável, já o luto mal resolvido pode gerar depressão, ansiedade, estresse, raiva excessiva e inassertividade.
Deve-se aceitar a raiva, o medo, a tristeza como parte do processo e que temos o direito de sentí-los. É importante se livrar-se da culpa, imaginária ou real, e pedir ajuda quando os recursos pessoais estão escassos ou ineficientes. E importante que a pessoa enlutada, assim que conseguir, se envolva em atividades esportivas ou tarefas que lhe causem prazer (ouvir a chuva, viajar, ver o por do sol, o nascer do sol), é importante que compreenda que viver um eterno processo de luto não é demonstração de amor, pois o amor é libertador, produtor de felicidade, e muito contribui para o nosso desenvolvimento saudável, já o luto mal resolvido pode gerar depressão, ansiedade, estresse, raiva excessiva e inassertividade.

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